Como Superar Nossos Medos?



Neste mês de outubro iniciei o mês lançando meu novo trabalho multimeios em parceria com o músico argentino Billy Shears, que em 2018 esteve participando do Programa de Residência Artística, no Ateliê Casa das Ideias, sobre minha orientação. O resultado desta residência foi a criação do álbum audiovisual Pássaro Preso. Para quem ainda não viu recomendo que veja antes de ler este texto. E porque digo isso? Porque eu vou falar um pouco sobre o personagem que dá nome ao álbum. Mas, porque decidi falar deste personagem? Porque acredito que ele representa um sentimento comum a todos nós neste momento pandêmico. Link do videoclip

https://www.youtube.com/watch?v=Wd9WjCjdAJs&ab_channel=Ateli%C3%AACasadasIdeias


Quem é, afinal, o personagem pássaro preso? Como ele surgiu? É curioso como a vida pode nos colocar em posição de alerta de uma hora para outra. Pássaro Preso foi um poema que compôs, não me lembro bem para quem, mas era para um amor. Lembro do momento em que acordei com esta sensação de que precisava ir além do muro. O amor desta pessoa se foi e o fato que eu fui além do muro. Acabei utilizando o poema para dialogar com Billy e deste encontro nasceu a música Pássaro Preso e o álbum que dá nome ao disco, e depois surgiram as outras músicas.


Findou o ano de 2018, e, nós o disco. Entrou 2019, eu iniciei a produção e edição dos clips de todas as músicas do disco, menos a música principal que dava nome ao trabalho. E trabalhos iam surgindo e eu não conseguia filmar “o pássaro”, mas fui ao longo do ano trabalhando na produção, primeiro fiz o laboratório de criação das máscaras dos três personagens que fariam parte do clip. Foram meses trabalhando nisso, quando o ano acabou eu estava com os figurinos prontos e faltava marcar a filmagem. As agendas estavam difíceis de conciliar, até a hora em que finalmente conseguimos, isso já era janeiro de 2020. Marcamos a sessão e concluímos a filmagem.


Em abril de 2020 eu lançaria minha exposição de artes visuais, neste momento minha agenda continuava apertada e eu não tinha tempo de editar precisava finalizar muitos detalhes das obras para a exposição. Esta altura já estava resignada que o Pássaro Preso ia continuar na fila de espera da minha agenda criativa. Claro que cada trabalho artístico que é colocado na fila, não deixa de estar sendo trabalhado, o meu espírito criativo permanece em estado de alerta elaborando intimamente as resoluções que o trabalho exige, e é aí que o trabalho vai crescendo junto comigo no passar dos dias.


Toda esta espera, eu sempre acredito que nunca é contra nós, ao contrário, ela é sempre a favor, desde que isso esteja em estado de latência, pois se você abandona sua criação em alguma gaveta perdida onde você não acessa, neste caso, sim, o trabalho pode se perder, assim como qualquer assunto em nossa vida. Sabemos quanta coisa fica guardada por medo, não é mesmo? Pois bem, o tempo resolveu contribuir, a princípio parecia que os muros haviam aumentado de tamanho, e as dificuldades também, eu, assim como o pássaro preso estávamos em confinamento. E este foi o pulo do gato. Porque eu teria todo o tempo para aprender o que eu precisava para chegar aonde eu visualizava chegar. Para isso eu precisava de tempo, estudar vários programas, dominar a ferramenta, e por fim criar o vídeo que eu imaginava.


Passado todo este tempo desde que o personagem havia surgido no poema, eu volto a me perguntar quem é o personagem pássaro preso, e percebo que somos todos nós, vítimas de nossas próprias imagens, de nossos próprios medos. Somos todos nós que neste momento atravessamos uma vida em confinamento. Nós que por vezes não toleramos mais a vida sem um abraço. Nós que precisamos lutar por uma sociedade mais justa e verdadeiramente humana no melhor sentido da palavra? Pássaro Preso é nossa voz sufocada gritando em silêncio. Somos todos nós que através da arte procuramos transpor o muro. Somos nós que enfrentamos o vírus como quem propaga coragem. O Pássaro Preso diz “eu preciso ir além do Muro, material bruto que surge de um sistema bruto selvagem que é.… eu amanheço pássaro preso, mas me liberto do espaço vazio para em seguida recompor-me no azul...


Percebi então que o O Pássaro Preso era um símbolo da pandemia, era como se eu a tivesse vivido antes do acontecimento. É por isso que falo que o tempo está sempre a nosso favor. O Pássaro Preso precisava do tempo para amadurecer. Ele não estava pronto para voar na hora que foi concebido. O Tempo nosso aliado foi solucionando tudo a seu próprio tempo. O tempo pode se tornar um amigo da obra. Em geral sempre é! Toda obra tem seu tempo de maturação. Toda vivência tem seu tempo de espera. O tempo de acordar existe para todos. A consciência de que somos capazes de vencer nossas barreiras e medos sempre chega, para isso precisamos acreditar na nossa capacidade de nos reinventarmos, precisamos buscar um caminho que seja nosso aliado. Um caminho que nos permita sonhar.


Um segredo da minha obra é: tudo que crio vem do vivido. É sempre uma resolução de algo que preciso melhor na minha vida, um medo ou desafio que preciso vencer. Eu acordei um belo dia com esta vontade de ir além do muro e se eu não tivesse expressado esta sensação no papel essa música não surgiria. Eu te pergunto: quantas vezes você desejou ir além do muro? Nós todos nunca estivemos com este sentimento tão forte, tão presente. Agora não é só uma vontade é uma imposição de fora pra dentro. Mas como perceber e ir além do muro dos nossos dias, sejam pandêmicos ou não? Se expressar é um caminho necessário, primordial na natureza humana. Simbolizar aquilo que estamos sentindo é de extrema valia.

Muitas vezes disfarçamos o medo para confundir o inimigo, mas se o inimigo se torna você mesmo ao disfarçar para si que tem medo, o que acontece? Assumir o medo é o primeiro passo para ter consciência de que é preciso fazer algo para vencê-lo, mas se ao invés de vencê-lo você o disfarça ou coloca a responsabilidade no outro, na sociedade, você vira uma vítima de si mesmo e torna-se seu próprio inimigo. Cada vez que eu me perguntava quem era verdadeiramente o Pássaro Preso eu percebia que somos nós quando nos prendemos a nossa própria imagem. Muitas vezes nos apegamos a imagem de que somos vencedores, outra de perdedores e a fixamos por muito tempo em nossa vida. Essa imagem se cristaliza de tal forma que já não sabemos mais quem somos em nossa verdadeira origem. Passamos anos a fio a reproduzir o apego a nossa imagem, de bonzinhos, de maus, de fracassados, de.... E por aí vai.


É preciso reconhecer o medo que nos persegue. É preciso distinguir entre medo e vergonha. É preciso encarar o medo de frente. E como se faz isso? Uma das melhores formas de encarar o medo é o da ousadia de se encarar. Arriscar-se na busca da tão difícil, paz de espírito. Aprenda a gostar de você. Aprenda a gozar da sua companhia, persuadindo a mente a se calmar. É preciso provocar o espírito a se manter na paz. Como? Transformando a ousadia num sentimento positivo. Se eu dou lugar a sombra em mim vou obter luz? Se eu a perceber terei mais chances de sair dela, porque enxergo a luz. Se congelo por medo de minha própria sombra não chego na luz.


A muito tempo não sonhava com voo. Quatro dias após lançar o Pássaro Preso ao mundo eu volto a sonhar. E isso que falo não é poesia, não é metáfora, foi real. Fazia tempo que não voava no sonho. E não só voei como recebi a visita de uma criança em seguida do voo. Sinal que meu inconsciente estava totalmente em paz e seguro, por isso eu consegui voar no sonho. Lançar o Pássaro Preso me trazia de volta o sonho de voar e não só a mim, mas a muitas pessoas que juntas comigo sonham voar ao ouvir a música. Nestes quatro dias subsequentes ao lançamento eu recebi dezenas de mensagens e telefonemas de amigos e pessoas que entraram em contato para me falar da sua identificação com o personagem. Voar foi um prêmio que o meu inconsciente me deu naquela noite por ter feito muitas pessoas voarem. Pois é assim que o universo responde quando geramos comunicação verdadeira, a real felicidade passa pela alegria do compartilhamento verdadeiro que é a identificação humana. Sonhar e fazer com que outras pessoas sonhem tem sido minha tarefa diária.


Eu não aceito migalhas amorosas. Eu não alimento abutres afetivos. Eu me alimento da minha paz de espírito. Só alcança a paz, quem se alcança. Eu não tenho mais vergonha de ir a público, pois a minha intimidade é resguardada na minha caixa de silêncios. A ela eu reservo a paz do meu espírito.


O medo muitas das vezes pode estar relacionado a vergonha. Se teu medo se prende a vergonha. Uma dica é: você tem que escolher com quem, não ter vergonha. Experimente fazer isso algumas vezes. Ligue o modo intuição, deixe ela agir e fique como observador de si mesmo, mas não se julgue, fique se olhando de fora para dentro. Vergonha teremos sempre, mas podemos vez por outra tirar este chapéu da cabeça. Podemos até ficar nus com nós mesmos se é que temos tanta vergonha do outro. Que vergonha é esta da gordura a mais? Que vergonha é esta de ser menor em tamanho, ou a cor que é diferente da pele ou da diferença do outro? Que vergonhas atravessam no nosso caminho? Sim eu estou falando para você que vergonha é dizer que não se tem vergonha, ciúme, culpa e fingir desprezo ou ódio pelo outro que se ama ou ainda perceber em si sentimentos como admiração que se transforma em inveja. assuma para si mesmo seus sentimentos.


Seja bom com você mesmo, depois será natural ser com o outro. Procure ser você, mesmo que seja com sua vergonha, ela é o seu limite, saiba seu limite e escolha sair dele quando lhe parecer seguro, exercite isso com o outro, o outro e mais um outro e a cada novo acontecimento você verá que por meio da frequência você começa a alcançar um estado que busque equilíbrio e ele começará te dar respostas positivas. Repita ações que te acalmem e você se acalmará. Ore alto pela melhoria do planeta e ele ouvirá em algum sagrado lugar. É preciso agir! Não deixe o medo te congelar. Enfrente a si mesmo, com ou sem vergonha, ela vai vir, mas vai passar se você o deixar passar. Exercite agir com pessoas que te passam confiança.


Por exemplo, eu preciso narrar o meu dia a dia, seja lá como for, eu preciso exercitar este dom! Procuro fazer isso diariamente. Quando alimentamos nossos dons eles vão ficando próprios para o uso com certa facilidade que nos coloca em certa paz vigilante. O segredo de tudo é a paz de espírito e se você vive com medo de tudo e não se enfrenta nunca terá o mais rico de todos os estados, sua paz de espírito!


Se você tem sentido muitos medos de se enfrentar, ou enfrentar os desafios que a vida tem apresentado no seu caminho, mas lá no fundinho tem uma vontade enorme de saber como fazer isso e ainda não sabe como. Eu posso te ajudar marque uma sessão de psicoterapia criativa e vamos trabalhar na prática através do Método Molusco Múltiplo seus talentos expressivos, para que você possa ir pouco a pouco perdendo seus medos e fortificando seu espírito. Entre no link e saiba como https://www.silvanalealart.com/copia-biografia-curriculo


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